"Don't be afraid of the Dark" - Nhádia Schwarze

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"Don't be afraid of the Dark" - Nhádia Schwarze

Mensagem por Liezel, A Luz da Aurora em Seg Jun 03, 2013 11:36 pm

É interessante observar a evolução humana, principalmente quando você também faz parte dessa evolução... Por muito tempo, havia resolvido que o melhor era me esconder, que a coisa certa a fazer era permanecer no anonimato... Imagine só.

Claro, isso é só conjectura, a maioria está presa nessa grande roda que chamam de vida. Enfiadas em seus mundinhos medíocres e chatiantes, nunca tivesse tato para essas coisas, para essas brincadeiras. O mundo era grande demais, vasto demais para que ficasse presa naquele sonhinho falido.. Havia poder em toda parte, e por que... Um pouco dele podia ser meu? E foi pensando assim, que as coisas começaram...

Permita-me ser franca de inicio. Você não vai gostar de mim. Alguns sentirão repulsa, outros – talvez as moças – inveja. Você não vai gostar de mim agora, e vai gostar ainda menos conforme nos conhecermos. Não tenho tempo para falsos sorrisos e pequenas pretensões, não me apego a diretrizes e tão pouco as chavões da sociedade. Moralidade? Honra? Palavras. Nada além de palavras. Todos tem um preço, uma fraqueza, um ponto. Todos são corruptíveis, passivos a desejos mundanos, todos querem algo além do que já tem. Eu me divirto, entende? E vocês irão assistir eu me divertir e suspirar.. Espere, não o façam! É um negocio perigoso para você, e estará mais seguro assistindo e tirando suas conclusões de uma certa distância do que estaria se eu me acomodasse por baixo... Você imaginou, não foi? Claro que imaginou.

Não se desesperem. Eu estou no clima. Espere até que eu termine meu discurso.

E mais tarde, quando vocês se questionarem... Mais tarde, quando minhas palavras penetrarem em suas mentes... E isso irá acontecer, eu terei esperado isso de vocês, e saberei que não me desapontaram. Eu quero que vocês visualizem, quero que se questionem com a minha nítida imagem dançando por suas gônadas. Sintam como foi para mim... Como é para mim e se perguntem:

“Será esse o tremor o mesmo que ela sentiu? Sabia ela de algo mais profundo? Ou será apenas uma parede miserável na qual batemos nossas cabeças naquele momento eterno e brilhante?”

É isso. Esse é meu prólogo – nada em rima, e vazio de falsas modéstias. Espero que não estivessem esperando isso. Meu nome é Nhádia Shcwarze, antiga Condessa Rochester, uma Bruxa e eu não espero que vocês gostem de mim.


Spoiler:
[Em breve]


Naquele tempo tinha resolvido não olhar mais para trás, olhar para trás era ir em encontro a um passado que não mais me pertencia, do qual não queria fazer mais parte. O que estava feito, estava feito. Havia um novo e vasto mundo de possibilidades e conquistas a minha frente, e não seria aquele passado a me levar para longe dele.

Nada de misericórdia tão pouco piedade. O poder não pertencia aos piedosos.

O porão não era o lugar mais agradável em qual já tinha estado, muito pelo contrário. Frequentava os grandes salões, as festas... As cortes. Tinha estado no topo o tempo inteiro, bem antes das guerras ou do terrível acontecimento com Arthas. Não importava, o que havia me levado ali não eram as histórias, ou o flagelo ou qualquer outra coisa se não a vontade. Não existia nenhum traço de medo em meus olhos quando eles se encontraram com o olhar daquele velho meio moribundo – também foi nesse momento que decidi nunca me deixar levar como ele havia se deixado -, e acredito que essa falta de medo que o fez sorrir, e foi quando tudo começou.

Não foi muito difícil notar meu tato para aquele tipo de caminho, aprendia rápido, desenvolvia facilmente. Em pouco tempo estava pronta para abandonar aquele lugar. Eles me faziam recomendações, de que nós deveríamos nos manter nas sombras, não eramos bem vindos em muitos lugares, apesar de quando necessário, sermos solicitados, eramos olhados com desconfiança, principalmente pelos insetos da Luz, aqueles malditos seguidores de vaga-lumes, como gostávamos de chamá-los.

Por anos, mantive-me no anonimato, por anos, rastejamos pelo limbo da escuridão. Assassinando, nos alimentando... Nos escondendo de todos.

Por quê?

Em muitos lugares dos quais passei, não tive nome, nem rosto. Muitos acreditavam que eu era alguma arcanista ou qualquer coisa assim. Não havia motivos para nos revelarmos, porém aos poucos... Nós nos cansamos de sermos usados daquela forma. Aos poucos, começamos a emergir, e tão acostumados a escuridão, as Luz nos feria terrivelmente, mas não impediu de lutarmos e conquistarmos nossos lugares. E hoje, mesmo que ainda tratados com desconfiança, andamos livres e orgulhosos.

A coisa não tinha sido muito diferente comigo, mas a 'Sagrada Luz' e seus vaga-lumes pareciam ter um desejo intenso de cruzar o meu caminho, Gregorius foi o primeiro com quem tive que lidar. O maldito Paladino era um bom homem, bonito, interessante, mas sua perspicácia sobre a vida me irritava. Era uma boa companhia, principalmente quando não estava ocupado falando demais, o que constantemente acontecia, levando em conta que nossos encontros, geralmente tinham um único propósito.

Greg queria me converter, vejam só. Queria que eu me tornasse uma Sacerdotisa. Sempre caio em gargalhadas quando me lembro disso. O que me faz recordar de nosso último encontro.


[…]

A verdade era que eu queria mais... Mais do que Gregorius, mais do que um paladino que havia sucumbido aos seus desejos. E se ele havia caído, por que outros não cairiam também? Era um jogo divertido, sabe? Tentá-los, provar a Luz que ela não podia tudo, que seus filhos e filhas eram tão mortais e corruptíveis quanto qualquer outro. Mas eu não queria um jogo, queria poder... E talvez aquela fosse a resposta. Era uma mulher poderosa a minha maneira, precisava de alguém ao meu lado tão poderoso quanto... E foi quando ouvi a respeito dele. E meu rumo alterou-se de novo, nas linhas do destino.
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Re: "Don't be afraid of the Dark" - Nhádia Schwarze

Mensagem por Liezel, A Luz da Aurora em Sab Jun 08, 2013 8:52 pm

Caminhar pelos Salões de Exodar lhe trazia alguma paz, como se algo dentro de si, fora de Exodar se tornasse inquieto, mas encontrasse lá dentro algum repouso. Observar rostos conhecidos e novos, perambular pelo comércio rapidamente, coisas simples e cotidianas que cada vez eram mais raros em seu dia a dia, quanto mais se envolvia e aprofundava na beleza das lições da Sagrada Luz, mais pareciam crescer as responsabilidades, atribulações e afazeres. E não parecia ser tão diferente com seu marido, ainda que conseguissem se encontrar todas as noites em sua morada, às vezes passavam horas ou até mesmo todo o dia sem conseguir se falarem. Compreendia que as coisas continuariam naquele ritmo, talvez até ainda mais complicadas dali para a frente, mas era o caminho que tinha escolhido, a Luz não havia de lhe abandonar ou negar-lhes força.

Quando atravessou o Setor Comercial em direção à Cripta das Luzes, mal notava os rostos sorridentes a lhe encarar, ainda que às vezes acenasse em resposta para um ou outro passante. Remoía muitas coisas em sua mente, agora; a reunião com a Ordem da Lua, o encontro com a druidesa... As coisas que teria de fazer ainda naquele dia; não estava tão certa sobre aquele encontro com a Elfa. Ela ainda lhe incomodava intensamente, de modos e maneiras que era difícil compreender; sabia que Viajante já não mais a amava, sabia que não precisava temê-la... Mas não era exatamente isso que lhe incomodava, não era esse o motivo... Talvez o Profeta pudesse lhe dar alguma paz, alguma serenidade para o fim daquele dia, para o que precisava fazer; era este o motivo de seus passos em direção ao Salão onde encontrava-se o Líder, mas, repentinamente retirada de seus pensamentos e tendo seu trajeto interrompido, ela foi trazida à realidade por uma voz familiar.

– Liezel.! – Exclamou, a draenaia virou-se, expressão não era de confusão, mas certa curiosidade. – Não posso dizer que é uma surpresa, afinal... É Exodar! Hehe, imaginei que talvez nos esbarraríamos por aqui.

– Olá, Nhádia. – Respondeu-lhe a sacerdotisa, abrindo um leve e cordial sorriso. – Não posso dizer-lhe o mesmo, Nhádia, és uma surpresa vê-la aqui, disseram-me sobre tua chegada, porém não sabia que permaneceria por tanto tempo. O que traz-te aqui?

– Hehehe, acho tão bonitinho essa linguagem formal que vocês usam. – A bruxa gesticulava constantemente, por um instante, Liezel a observou atentamente. Viajante parecia não confiar nela, e Liezel queria descobrir os motivos; poderia citar alguns, claro, Nhádia era.. Atípica, além de uma bruxa, mas sempre que Sha'tar falava dela, parecia ter um motivo a mais para não tê-la em consideração. Mas fosse o que fosse, a Sacerdotisa ainda não tinha isso saltado aos olhos. Nhádia usava um vestido provocante, de decotes vastos e aberturas laterais que exibiam parte do torso e coxas, mas ali, não fazia tanto efeito; os Draeneis quase não a olhavam, em verdade, a Sacerdotisa era quem recebia os olhares, arrumada de maneira simples, em seu vestido de lã branco e seu cabelo preso. Liezel permaneceu em silêncio, esperando a resposta da pergunta feita, resposta que nunca viria.

– Como estão as coisas, Sacerdotisa? Perdoe-me não ter ido ao casório, tive outros assuntos. Como foi a Lua-de-Mel? – Nhádia sorriu, encarando os olhos luminosos por um tempo; mas desviou o olhar. Algo em Liezel parecia incomodar a bruxa, a sacerdotisa apenas voltou a sorrir.

– Não se preocupe. Foi bem, foi um bom momento. Tivemos tempo para descansar e para ficarmos juntos... Fugimos um pouco das atribuições. – E fora, não fora? Liezel achava que sim. Bons dias, calmos e pacatos, dias de baixar as armas, de apenas observar o sol nascer e deitar-se. Chegou a perder-se um pouco em lembranças; mas a bruxa não estava interessada nisso, ainda que Liezel não soubesse.

– Que ótimo! E onde está seu adorado marido? Enfiado em alguma aventura 'paladinesca'? Hehehe.

– Infelizmente ele não é totalmente meu, Nhádia, tenho que dividi-lo com o Punho de Prata e com a Aliança. – Respondeu bem humorada, a Sacerdotisa. Liezel fez sinal para que andassem; não queria se atrasar para ver Velen, Nhádia então a acompanhou, em passos lentos.

– Ah, sim, claro. Dever primeiro, diversão depois. Fico imaginando como farão quando as crianças chegarem.

Liezel parou de andar, virando-se para a bruxa.

– Crianças chegarem?

– Ora... Claro, Liezel. Crianças, filhos, filhotes... Não sei como vocês draeneis chamam. Afinal, vocês vão ter filhos, certo? Quero dizer... Podem? Nunca vi um híbrido entre humanos e draeneis. Vocês podem ter filhos?

– Não conversamos a respeito, ainda... Para ser-lhe sincera. Possuímos uma rotina... Agitada, para crianças.

– Ah, Liz, não seja boba. Todo homem quer ter filhos, é o jeito deles deixar uma 'marca' no mundo. Ou você acha que Viajante não quer ser pai?... Mas seria mesmo complicado para vocês, afinal... Considerando tudo.

– Considerando o quê? – A coisa estava chegando onde ela queria, afinal. Liezel parecia menos a vontade, pequenos reflexos de tensão passando por sua expressão serena, sua ingenuidade era um cálice de onde poderia beber muitas e muitas vezes para alcançar o que pretendia. Imaginava como Viajante ainda não tinha notado isso, talvez fosse tão ingênuo quanto a própria mulher, aquilo facilitaria as coisas.

– As diferenças, Liz. Você sabe... Talvez vocês possam até ter filhos, mas a diferença... Racial... Vá trazer crianças não muito semelhantes a nenhuma das duas raças... Imagine o que essas crianças sofreriam... – A bruxa deu de ombros. – Talvez por isso Viajante não toca no assunto. Se você fosse humana... Mas veja bem, Lie! Não estou dizendo que é ruim que seja uma draenaia! De maneira alguma... Mas se fosse humana... Seus filhos seriam humanos.

– Viajante não se importa com isso, Nhádia. Ele aceita-me como sou.

– Claro que ele não se importa, meu bem! Claro, não disse isso. – E a bruxa se aproximou, lhe tocando o rosto numa caricia suave. – Mas nem todos tem o coração que o Viajante tem, Liz. Mas isso é bobagem. Vocês podem adotar um humanozinho e uma draenaiazinha, mesmo que homens como Viajante queriam ter seus próprios herdeiros, acho que ele abrirá mão disso por você, claro... A não ser que...

E lá estava a cartada, o interesse maior da draenaia em suas palavras, em como ela parecia chateada, envolvida em toda aquela trama besta e fútil; a insegurança de Liezel a respeito dela mesma e da diferença entre eles era um bom ponto para se explorar, um que duraria por algum tempo, tinha que aproveitá-lo, ter pensado sobre os filhos havia sido uma iluminação, era um tiro no escudo não sabia se poderia afetá-la mesmo com aquilo, mas pelo visto... Estava dando certo. Esperava que Liezel fizesse a pergunta, mas a draenaia parecia aérea demais para saber o que perguntar, longe demais em suas preocupações e temores: Onde estava a tal Sagrada Luz agora? Para resgatar a pobre sacerdotisa, Nhádia queria rir.

- Que você se tornasse humana. – Disparou Nhádia, na ausência da pergunta de Liezel, a draenaia lhe encarou, como se aquilo fosse algum absurdo. – Mas isso é uma ideia idiota, não se meta com esse tipo de magia boba. Escute, querida, eu tenho que voltar à Nortundria. Mas fique bem, viu? Nos vemos logo.

Nhádia deu as costas a sacerdotisa, e um sorriso vil mostrou-se em seus lábios, enquanto ela se afastava de uma confusa, insegura e pensativa draenaia. Liezel ficou ali, imóvel, onde estava, as mãos unidas, remexendo-se uma contra a outra, estava distante demais para notar qualquer coisa à volta.

– Anacoreta?

Liezel piscou, voltando a realidade, buscou com o olhar o dono da voz que lhe questionava e encarou o Draenei a sua frente. – Rukadare. – E fez uma leve mensura ao homem.

– Sente-se bem, Anacoreta? Parece-me distante de nós. – Ele lhe sorriu de maneira cordial, Liezel forçou-se a sorrir também.

– Estou bem, agradeço, apenas pensativa. E estou atrasada também, Rukadare, perdoai minha presa. Que a Luz te guie.

– Que a bênção dos Naarus esteja contigo, Anacoreta.

A sacerdotisa se afastou a passos rápidos, em direção ao seu destino.
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